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domingo, 29 de abril de 2012

O desperdício da existência - Parte II

Com o tempo, o ser humano se acostumou a ver a sua própria existência como algo banal e trivial, sem considerar os fantásticos fenômenos que ocorrem consigo mesmo e ao seu redor para manterem essa existência. Não apreciamos nossos sentidos nem nossos sentimentos, não apreciamos o sol nem a chuva, não apreciamos as flores nem as árvores. Não apreciamos a música nem a dança, não apreciamos o choro nem o riso, nem a alegria nem a tristeza, nem o abraço e nem o beijo. Não sabemos sofrer nem vibrar por alguém, não nos entregamos por inteiro em nenhuma relação, e passamos dia após dia com roteiros e metas prontas e automáticas e com felicidades artificiais e triviais, sofrendo e lutando para no futuro contar com uma riqueza artificial e material que, no fim das contas, jamais se comparará com nada do que já temos em nossas vidas. Tudo o que é comprável é barato, mas temos coisas insubstituíveis em nossas vidas que nos fariam muita falta. Temos um corpo saudável, uma mente maravilhosa, temos família, alimento, casa, amigos e pessoas que realmente amamos. Temos o privilégio de reiniciar todos os dias, e de descansar em uma cama. Podemos respirar com liberdade, temos a luz do sol e água em abundância. Podemos contar com os confortos do frio e do calor. A chuva e o nascer do sol são um espetáculo a parte, e gratuitos. Crianças sorrindo, bichanos brincando, pássaros cantando. Mesmo o silêncio é agradável, bem como as dores e as tristezas são privilégios únicos de quem está vivo.
Por isso, antes de levantar mau-humorado para mais uma segunda-feira, tome o cuidado de apreciar a riqueza que sua vida lhe oferece todos os dias. Acostume seu olhar a ver melhor cada detalhe que faz parte de sua vida, pois aquela simples árvore na frente da sua casa tem muita vida, aquela roupa que você gosta teve um trajeto para chegar até você, aquele pássaro não está em sua janela por acaso e aquela pessoa que você vê no ônibus todos os dias mas nunca cumprimentou tem uma riquíssima história de vida, assim como cada detalhe dessa maravilhosa existência. Sua única obrigação é ser grato todos os dias por fazer parte de tudo isso, e sendo assim de nada custa tentar sorrir todos os dias. Afinal, Deus deu pra você quase tudo o que precisava, e aquilo que não deu pronto, deu em forma de capacidade para que você mesmo providencie. Faça tudo o que estiver ao seu alcance, e se necessário for,  abra mão de tudo em nome da felicidade.

O desperdício da existência

O autor que vos fala desse blog teve poucas horas antes desse post uma das piores experiências de sua vida, na qual por uma pequena fração de segundo esteve cara a cara com aquela com quem nunca queremos ter contato: A MORTE. Por um pequeno lapso de fata de atenção, um susto e uma freada na hora errada, minha vida inteira certamente terá outro rumo. Bati o carro de lado contra um poste, e o vi despencar em cima do carro e a poucos centímetros da minha cabeça. Estava com o cinto de segurança, e não levei nenhum arranhão, mas se houvessem outros veículos por perto ou se aquele poste não estivesse ali, o estrago certamente teria sido maior e envolvido vidas inocentes. 

Fatos como esse marcam o resto da vida e tiram boas noites de sono. Por outro lado, trazem uma visão de vida e de existência totalmente nova. Estar de cara com a morte e se sair ileso é como nascer de novo, porém com outro olhar sobre a vida. Imediatamente após essa experiência, nem a chuva nem o frio fizeram diferença para mim, fiquei completamente molhado por acompanhar os trabalhos. Bati a perna e a barriga contra o volante na hora do choque, mas não sentia dor alguma. Via o carro completamente destruído, mas não se importava mais com absolutamente nada que fosse material. Os olhares alheios eram de curiosidade,  muitos passaram zombando, outros quiseram saber se não havia sangue derramado, mas nada disso fazia alguma diferença. Meu pai, proprietário do carro, fez um escarcéu atrás das ferramentas e documentos que constavam naquele carro, mas eu pensava comigo que não iria fazer sentido algum aquilo se minha vida tivesse se perdido. É assim que a gente pensa que não adianta de nada viver da maneira como estamos vivendo. Somos uma partícula pequenininha e imperfeita nesse Universo, mas durante toda a nossa existência estamos em meio a rotina e a correria dos dias atuais, passamos a vida toda querendo buscar benesses materiais. Muitos dedicaram horas a fio tentando dar explicação à nossa existência, colocando assim ao menos uma pequena parcela da humanidade como detentora do saber, mas no final das contas somos meros mortais e não sabemos absolutamente nada. Nossas crenças, nosso estilo de vida, a maneira como tratamos os outros, a competição, o mau-humor e as brigas por picuinhas,  os estresses de trabalho e de estudo, a insatisfação com o próprio corpo e com a reputação...nada disso tem sentido quando estamos cara a cara com a morte. Somente uma única coisa interessa: permanecer existindo.

Momentos como esse também dão certeza de algo que por vezes passa batido em nossas vidas: DEUS existe, DEUS nos monitora a todo o MOMENTO, é justo, é bom e traz para nossa vida aquilo que precisamos ter na medida certa, com uma perfeição e grandiosidade que jamais qualquer um de nós entenderá. Considerando esse acidente que tive, alguns centímetros poderiam ter ceifado minha vida. A ausência do poste naquele exato local poderia ter causado consequências piores. E por qual motivo ninguém trafegava quando o poste de oito metros desabou? Como uma pessoa pode sair tão ilesa de um impacto tão grande e ainda conseguir raciocinar o suficiente para explicar o caso às autoridades policiais? E por que o compromisso marcado havia sido marcado justo nessa noite e não em outro dia? Meu pai, proprietário do veículo, estava embriagado, e se ele tivesse pegado o carro nesse noite? Coisas que parecem nunca se fechar, mas que fazem total sentido. 

Os amigos e parentes não pararam de ligar, pedir o que houve e dar palavras de apoio, resisti bravamente e me orgulho do controle do sistema nervoso que consegui ter, mas desabei diante de um único abraço e de três palavras simples que ninguém parou para pensar em como elas eram importantes: EU TE AMO. As lágrimas foram derramadas para lavar a alma, e então veio o conforto necessário para amenizar a situação. Sabe-se que o dia seguinte virá e terei o privilégio de acordar novamente na cama e no quarto que tanto gosto, ouvir minhas músicas preferidas, comer a comida que gosto, ter contato com minha família, e na segunda-feira poderei retornar ao emprego que tanto gosto, continuo os contatos com os amigos, parentes e pessoas que realmente fazem a diferença para mim. Irei sorrir muitas vezes, irei chorar outras, me irritarei, ficarei confuso, nervoso, perdido e eufórico, mas diante de tudo isso vou poder agradecer a Deus por ter me dado o brilhante privilégio de existir. Mesmo as piores dores são privilégios de quem existe. 

Mas uma coisa é certa: não gastarei o tempo que terei pela frente me magoando por ter algumas marcas no rosto ou uma barriga grande, não reclamarei mais dos meus pais, não me privarei de fazer minhas vontades por causa de outros princípios e não levarei absolutamente nada a sério. Não ficarei estressado por nunca ter namorado, pela sobrecarga da faculdade, nem pelas injustiças terrenas, ou por não ter um carro ou todo o dinheiro que gostaria. Ao termos contato com a morte, vemos que nada disso no fim das contas é válido, e toda a pré-ocupação que temos no fim das contas é um desperdício diante de algo tão maravilhoso como nossa existência. O que realmente vale a pena é valioso demais, mas está presente em todas as pessoas e em todos os lugares. Um sorriso, uma lágrima, uma abraço valem mais do que qualquer coisa nesse mundo. O amor e a amizade são os bens de maior valor que temos e que carregamos para sempre, e deles vem todos os bons momentos da vida. É nesses que quero investir, quero viver com mais paz, com mais abraços, com mais sorrisos, com mais serenidade e ser grato por tudo o que faz parte desse universo de bondades criados por Deus. E se sigo por aqui, é sinal de que há um plano em minha vida, e devo seguir em frente. É até vergonhoso falar, mas bom seria se todos tivessem o contato com a morte ao menos uma vez na vida, para se tocarem daquilo que realmente vale a pena, e chegarem a constatação de que nada somos e nada sabemos, e que não adianta levar a vida achando que somos ou vamos conseguir ser pequenos deuses na Terra. Do pó viemos e ao pó retornaremos, por isso devemos libertar os cadeados que nos prendem e aproveitar com liberdade e prazer o maravilhoso privilégio da existência.

segunda-feira, 19 de março de 2012

A "imbecilização" da sociedade - PARTE XIV : Ética e moral


Durante muitos e muitos séculos o ser humano utilizou-se de diversos métodos para manter a ordem social. Desde que nos conhecemos por SOCIEDADE existem códigos de conduta e comportamento moral instaurados gradativamente e passados de geração para geração. Esses códigos existem quase que por acaso e servem para regular e manter o equilíbrio da vida social, de modo que seja possível estabelecer normas, regras e comportamentos que visem o bem estar de todos. Acima da Moral, aquela que se estabelece e varia conforme a sociedade e se adapta com o decorrer dos tempos, existe uma ciência universal chamada Ética. Explicar o sentido dessa palavra é uma complicada tarefa, mas podemos entendê-la como um conjunto universal de conceitos, costumes e valores que precisam ser obedecidos por todos os seres humanos, independente de qual sociedade ou região do planeta em que vivam, independente de cor, raça, gênero ou credo. Por isso, cada código moral de determinada sociedade vai buscar eternamente chegar próximos da Ética.

A Ética tem um conceito tão puro e bom que é quase confundida com o Amor, e defini-la é uma tarefa tão árdua como definir o Amor. Seu significado em determinados momentos pode ser confundido com o ato de amar, já que engloba a defesa da vida e do bem estar universal, algo acessível somente através do amor. Da mesma forma, parece um bem inatingível por inteiro. Durante toda a nossa existência foram estabelecidas regras sociais para facilitar a convivência e estabelecer a igualdade. Ao mesmo tempo, vários métodos foram criados tendo em vista coibir determinadas pessoas cujo comportamento não era condizente com as leis estabelecidas. Já sabemos de escravos que lutavam em arenas, mulheres queimadas vivas, tortura e tantas outras ações derivadas de um julgamento de juízo que desde cedo aprendemos a fazer ao separar pessoas boas de pessoas ruins, considerando as boas aquelas que seguiam os costumes morais, que por sinal estão em eterna metamorfose procurando melhorar a cada dia.

A História mostra que a imposição do medo sempre foi a forma mais utilizada de manter o domínio. Os governantes não hesitavam em mandar e desmandar, e a moral é profundamente alterada a cada momento que esse cenário se modifica. Além da crueldade física, também existiu por muito tempo um domínio psicológico provocado especialmente pelas religiões. A própria Igreja Católica fez isso. Além das prisões com cela e paredes, o homem livre e "de bem" sentia-se preso a todo momento, uma prisão que sequer conseguia perceber.

Os dias contemporâneos e capitalistas, entretanto, souberam provocar um aprisionamento muito mais eficaz e sem precedentes, que funciona com praticamente toda a população e que mantém a "ordem" da maneira como os governantes desejam. As leis, que deveriam reger o sistema, são falhas, manipuláveis, complicadas e sempre deixam algum furo. Determinados comportamentos anti-éticos como beber dirigindo nunca conseguem ser coibidos e está sendo instaurado aos poucos a idéia de impunidade. Os presídios são lotados e não conseguem reconduzir cidadão algum a se tornar mais ético. Por consequência, o medo aterroriza e prende a população inteira. 
Mas a principal preocupação com relação ao aprisionamento se refere aos costumes que se estenderam por tantos anos com o objetivo de manter intactos diversos valores, que estão caindo. Por exemplo, até pouco tempo atrás as crianças pediam bênção aos pais antes de dormirem, demonstrando o respeito que tinham a eles. Os professores eram mais respeitados e faziam a diferença na vida de um aluno. Os finais de semana e as grandes festividades sempre lembravam as grandes reuniões de família e inesquecíveis confraternizações. Haviam cerimônias de casamento para representar uma união que realmente durava a vida toda, os homens e mulheres que se davam ao respeito eram quase a totalidade da população. Não havia preocupações a respeito de meio ambiente, trânsito pesado, aparência física, vestimentas, correria e estresse, não havia a fome voraz pelo consumo nem pessoas tão insatisfeitas com suas vidas. As relações com outros seres humanos eram muito mais puras, intensas e de respeito. Um amigo de verdade não era apenas alguém que se conhecia e se simpatizava, ia muito além disso. Não se dizia "eu te amo" com tanta frequência e sem sentido. Os animais eram membros da família, não havia desperdícios nem corte demasiado de árvores e matança de plantas. A água vinha de fontes e poços, não tinha gosto de cloro. Ainda era possível admirar um por de sol, um canto de pássaro e todas as outras belezas que a natureza sempre ofereceu. A música não vinha de potentes caixas de som, mas sim dos próprios instrumentos. Não haviam registros de tantos males, e para quase tudo havia uma solução natural, além da fé. E hoje?

Hoje convivemos com ameaças ambientais, correria, estresse, luta pelo status social, individualismo, valorização exacerbada do corpo e da aparência, pressões de todos os lados, obrigações de mais variadas formas. As famílias simplesmente deixaram de existir e passaram a ser um conjunto de seres que dorme no mesmo lugar de vez em quando. A TV em cada quarto impede que a família se una algum momento e dialogue decentemente. Um noticiário exige silêncio para que saibamos o que está acontecendo no mundo, quando na verdade sequer sabemos o que acontece dentro da própria casa. A Internet é capaz de conectar-nos com o mundo inteiro e dá acesso a todo o tipo de informação, mas é utilizada como passa-tempo, local de exibicionismo e tantas outras (f)utilidades. Temos "amigos" que nem sabem nosso nome, se aproximam por conveniência e desaparecem rapidamente, temos romances superficiais e promiscuidade. Nosso planeta está em risco, mas só se espera que os outros tomem atitude. Queremos saber das tragédias por que gostamos delas, não por que nos preocupamos. Nossas distrações envolvem estresse com algo que nunca nos diz respeito (como o futebol), bebidas alcoólicas e diversos outros meios que tenham como finalidade promover um fuga de si mesmos. E se precisamos fugir, é por que estamos cada vez mais PRESOS. Presos a um emprego que suga e estressa, presos a costumes mesquinhos, presos ao valor do dinheiro, presos à vaidade, presos ao orgulho, presos em amizades duvidosas e namoros fracassados, presos em sonhos meramente capitalistas, presos diante da televisão, dos vícios futebolísticos e religiosos, presos diante das redes sociais e dos preconceitos. Presos diante de uma única teoria, presos nos conceitos de certo e de errado, presos nas bardas do ego, presos no cansaço e na insônia, presos aos remédios e problemas de saúde física e psíquica. E o pior de tudo, presos diante da incapacidade e de falta de vontade de mudar e fazer as coisas acontecerem de um jeito diferente, afinal é muito mais fácil seguir o andar da carruagem. Por consequência, prendemos idéias, pensamentos e sentimentos, deixamos de viver momentos intensos por que somos controlados a todo o momento, e não são as leis que nos controlam, mas toda a ordem moral estabelecida. Acreditamos estar vivendo num momento de democracia, liberdade e felicidade, quando na verdade nunca estivemos tão presos e neuróticos, quando na verdade nos deixamos ser aprisionados voluntariamente.

Por fim, resta refletir: afinal, a Moral realmente está indo atrás de um ideal Ético? Ou está regredindo e fugindo desta cada vez mais? As reais intenções por trás de todos os códigos de conduta, leis, punições e costumes eram a de possibilitar a liberdade e a felicidade ou a de privar o ser humano desta e poder dominá-lo melhor? Terá o ser humano atingido sua melhor forma de dominação? Teremos todos nós chegado ao fundo do poço como espécie? Onde iremos parar? São questões diversas que tentam justificar algo injustificável: vivemos numa terra de livres, onde souberam direitinho a nos prender dentro de nossas próprias armadilhas e fraquezas.

segunda-feira, 12 de março de 2012

A obrigação de ser feliz



A sociedade atual encaixa a maioria dos seus sujeitos dentro de um invólucro mortal chamado NORMALIDADE. Ela tem o incrível poder de fazer cada pessoa prender a si mesma por conta própria, e zombar da cara dos poucos que ficam de fora. Mas permanecer dentro desse invólucro cobra preços muito altos. E uma das principais regras dos seres "normais" é que estes precisam estar felizes o tempo todo.

O status social é o bem de maio valor na sociedade. Logo, tudo aquilo que há de mais superficial é externado por cada um de seus normais, que aprenderam a julgar mais pelo que enxergam do que pelo que sentem. Envolver sentimento, seja lá onde for, é um risco muito grande por revelar o lado "humano" que cada um tem, como se com isso exposse um lado fraco do sujeito. Então, é melhor ficar fazendo de conta que está bem diante de todo mundo, criar uma bolha em torno de si para que todo mundo ache que você é feliz, e quem sabe você mesmo se convença disso, ou simplesmente não dê a menor importância. Não é permitido que um presidente da república derrame lágrimas ou que as estrelas da televisão sejam vistas brigando, com raiva ou chorando,pois isso parece uma exclusividade dos fracos, e os fortes se mantém intactos e felizes eternamente.

Demorei muito tempo a entender que não era o ser humano mais desgraçado do planeta por ter tristezas e decepções, assim como muitos medos e agonias. Quando criança, eu jurava que era o único diferente e que a felicidade não havia nascido para mim. Posteriormente fui entender que a sociedade exige de cada um que use máscaras com sorrisos, e que dentro do peito de todo mundo havia dores e angústias covardemente reprimidas e provavelmente nunca resolvidas, e que o sistema escraviza de tal forma que sequer conseguimos ver alegria ou tristeza em nossos interiores, como se estivéssemos em stand by. Hoje eu não consigo mais viver em meio termo, ou estou alegre ou estou triste, mas não conheço mais o estado vazio da normalidade, essa coisa tão insossa e tão desejada...

Devemos sim nos permitir ficarmos tristes, preocupados, ansiosos, nervosos. São sentimentos necessários e vitais para todo o ser humano, pois sem ele não haveria impulso algum para que resolvêssemos nossas principais questões, buscássemos nossos maiores objetivos e construíssemos nossas maiores histórias de amor e alegria. Sem a tristeza é impossível voltar para dentro de si mesmo e encontrar as respostas e o caminho que nunca teriam oportunidade de aparecer se não fosse dessa forma. Somente tendo momentos de tristeza que sabemos valorizar com carinho toda a felicidade que vem depois. Só cabe a nós canalizar essa tristeza em atitudes, sem jamais negá-la ou escondê-la (mas sem machucar as pessoas ao redor). Quem consegue permitir a tristeza em sua vida consegue minimizar seus efeitos e está mais preparado para viver seus momentos felizes com mais intensidade.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

A "imbecilização" da sociedade - PARTE XIII: Panis et Circenses

O Império Romano existiu no período entre 27 a.C. e 395 d.C. O fato de essa poderosa autocracia ter atingido extensas faixas territoriais em torno de todo o mar Mediterrâneo e ter durado muito tempo fez com que a cultura romana tivesse considerável influência sobre o desenvolvimento dos idiomas, religião, arquitetura, filosofia, direito e formas de governo nos território governados. Essa influência estendeu-se a todo o mundo posteriormente com o expansionismo europeu, em especial o continente Americano. 

Uma das heranças que temos hoje dessa época é a política do pão e circo - panis et circenses.  Na época, os romanos tinham 182 dias por ano para desfrutarem de solenidades e espetáculos que envolviam lutas de gladiadores, corridas e encenações. Para cada dia útil, um ou dois dias de feriado. Esses espetáculos sempre tinham a presença do "todo poderoso" imperador, ovacionado e respeitado por todo o público. Essas cerimônias tinham origens religiosas e por essa razão o público tinha muitas regras de etiqueta a cumprir, sendo que sequer sabiam por que as cumpriam. Prisioneiros de terras distantes eram introduzidos nas grandes arenas, provando o poderio do Império, ao mesmo tempo em que o Imperador estava sempre ali, presente diante dos olhos do seu povo. Para completar, distribuía-se pães mensalmente no Pórtico de Minucius. E com essa estratégia bem consolidada, o Império Romano durou quatro séculos, com o "apoio" do seu povo que se manteve sempre ocupado e contente o bastante para querer contestar alguma coisa. Dessa forma o governo conseguiu manipular a plebe a seu gosto, e a manteve afastada de questões sociais e da política. Não foi por nada que esse império foi tão influente na história da humanidade. 

Saindo do passado e se dirigindo diretamente ao futuro, as perspectivas em nada se alteram. A obra "Admirável Mundo Novo" de Aldous Huxley é apenas um exemplo. Sua narrativa explana uma sociedade futurística na qual o governo possui o controle sobre absolutamente tudo, todas as coisas se tornam previsíveis e a população vive um torpor eterno, quase como se estivesse anestesiada, convencida de que é realmente feliz. A droga soma está disponível para uso livre, e faz qualquer indivíduo sentir-se nas nuvens e fugir de todos os problemas e dores. Parece mesmo que os romanos descobriram a mais eficaz de todas as formas de controle da população: fazendo-a estar ocupada e alienada o suficiente para que não se intrometa nos interesses governamentais. 

Basta analisarmos um pouco o panorama atual da sociedade para chegar à constatação de que a política do pão e circo continua viva e cada vez mais forte. O capitalismo é um sistema tão voraz que obriga cada cidadão a dar muitas horas diárias de seu suor em troca de uma bonificação que irá torná-lo ainda mais refém do sistema. Logo, é uma necessidade trabalhar e trabalhar cada vez mais, preferencialmente estudar e ainda tem que ter tempo para cuidar da casa e uma série de outras coisas. Queira ou não, o sistema está sugando e cegando cada um de nós, literalmente. Quem segue suas regras não tem tempo para nada e acha estar sendo feliz com isso, quem não segue essas regras possui lapsos de infelicidade material, uma infelicidade que também escraviza no mesmo sistema. Mas essa é a forma como cada um busca seu pão de cada dia, que aparenta ser cada vez mais fácil graças ao crescimento das vagas de trabalho e do desenvolvimento econômico. Só que este pão está cada vez maior, visto que estamos sempre descontentes e ávidos pelo consumo desenfreado, sendo escravos por completo desse sistema. O sistema social atual permite o livre acesso ao "pão", contanto que se sigam as regras do sistema (e quando se fala em REGRAS, não se tratam apenas de LEIS). Seguir essas regras é um tanto trabalhoso, não há tempo ou condições psicológicas para raciocinar outra coisa, o que dizer se "incomodar" com a sociedade.

Além disso, hoje em dia temos uma poderosa mídia para distrair a população (inclusive os que trabalharam o dia todo) com novelas, desenhos, filmes e outros. Essa mesma mídia promove reality shows para que muitas pessoas tenham com o que se preocupar, para que preocupem-se em como estarão os "heróis" enclausurados de Pedro Bial. Ela também promove o esporte da maneira mais capitalista possível, de modo que ele se traduza não em um espetáculo, mas em algo que se assiste unicamente para defender o time pelo qual se torce, que é um pedacinho do ego de cada um, queira ou não. Pra completar, os noticiários, jornais e tantos outros divulgam aquilo que é conveniente, com as insinuações e versões que lhes são convenientes sem qualquer preocupação com a imparcialidade. E ao falar do Governo, fazem duras críticas acerca de coisa muito pequenas perto do que realmente acontece, e em lugar de dar um sentimento de revolta ao povo e ser um instrumento para promover a revolta, simplesmente coloca o Governo em um lado e a população em outro, dando a entender que o povo não tem que se estressar e perder seu tempo com o Governo. A população tem o péssimo hábito de jogar todo e qualquer tipo de responsabilidade para cima do Governo, até mesmo coisas que dizem respeito a sua vida pessoal. E cria-se uma marasmo, a população tem problemas demais mas não se envolverá com as questões sociais por que não é responsabilidade sua. Perdeu até mesmo a capacidade de se revoltar diante das injustiças. Não são mais capazes de fazer justiça com as próprias mãos, negam auxílio para uma pessoa necessitada mas gastam uma fortuna para eliminar uma pessoa de um reality show. Nem mesmo dos jovens é possível esperar algum tipo de revolta. Agindo sem qualquer responsabilidade, sem se preocupar com o futuro e tendo acesso a todo o tipo de balada, bebida alcoólica e sexo banal, o resto do mundo que se exploda. Eis o circo formado, para entreteter e desviar o foco daquilo que realmente é importante.

Para esse circo ficar mais animado, temos as bebidas alcoólicas e os entorpecentes. A única diferença entre um e outro, diga-se de passagem, é a legalização governamental. As bebidas são uma verdadeira mina de ouro, o Governo arrecada milhões por meio dos impostos pesados sobre elas. Pudera, deveria tirar ainda mais. E deveria também legalizar os entorpecentes, a altíssimas taxas de impostos, pois seria a única forma de controlar seu consumo que já é exorbitante, mas ninguém quer enxergar. Queira ou não, são drogas parecidas com a soma de Aldous Huxley, utilizadas para fugir dos problemas, esquecer deles, relaxar. Quando se tem acesso a essas drogas, para que irá se lutar ou se incomodar diante de qualquer outra coisa? Mais fácil perder o controle sobre si mesmo, não é?

Completando o ciclo do pão e circo, temos grandes festas populares enraizadas na nossa cultura, e o Carnaval não deixa de ser uma delas. Mesmo que nossa sociedade esteja carente de serviços tão básicos como educação, saúde e saneamento básico, vultosas quantias de dinheiro são despendidas imediatamente e sem qualquer impedimento. Enquanto milhares de professores, policiais, médicos e tantos outros profissionais sobrevivem com um salário minguado e uma estrutura sucateada de trabalho, o Carnaval recebe verbas rápidas e sem a mesma burocracia que envolve o aumento do salário desses importantes profissionais. Mas não é difícil entender essa verdadeira inversão de valores: é necessário deixar o povo se divertir, a educação e a saciedade das necessidades básicas ficam a segundo plano, pois ambas constituem seres humanos inteligentes demais que por hora vão representar atravancos ao sistema governamental. O Governo não quer formar pensadores, detesta formadores de opinião e não faz a mínima questão de investir nessa área, mas deposita cada um de seus centavos para manter o povo alienado e "feliz". Uma felicidade que envolve músicas de baixa qualidade, promiscuidade, sexo sem segurança e sem pudor, violência, mortes banais, acidentes graves de trânsito, roubos, saques e uma série de sequelas irreparáveis. Fica implantado o clima do "oba-oba" e a sensação de que temos dias sem lei. Os prejuízos aos cofres públicos, seja envolvendo sequelas de acidentes, DSTs, novos bebês, lixo, policiamento e inúmeros outros vão muito além dos ganhos. E nada se acrescenta de bom para a sociedade. O mais interessante é que, ao assistir a um noticiário nessa época só ouvimos falar no dito cujo Carnaval, como se o mundo inteiro tivesse parado para as festividades. Nota-se comportamento semelhante em outros feriados e datas comemorativas durante o ano nas diversas regiões do país, com destaque para as festas de final de ano, cada vez mais carnavalescas. 

Diante desse cenário, o que nos resta, mais uma vez? Claro, o bom senso. Temos sim que garantir o "pão nosso de cada dia", mas sem nos deixar escravizar por essa fonte de sustento. Temos sim que ter momentos de diversão e alegria na vida para alimentar o nosso espírito, mas feliz daquele que faz isso todos os dias sem ter que esperar o Carnaval. Felizes os que não precisam perder a noção e o controle sobre si mesmos. Não precisamos fugir da realidade para desfrutar o que ela oferece de melhor. Não precisamos nos tornar imbecis cordeirinhos do Governo e seguir as tendências fazendo o que a mídia propaga e aparentemente todo mundo gosta. Estar em paz com sua consciência e agir sempre com responsabilidade vai fazer a diferença em todas as áreas da vida, potencializando ainda mais momentos verdadeiramente felizes e valiosos. E mais do que isso, diante de tudo aquilo que nos descontenta, façamos o vital exercício de usar as próprias mãos.  

domingo, 29 de janeiro de 2012

Mais palavras sobre o aprisionamento da mulher


É sempre válido repetir quantas vezes forem necessárias que as mulheres são, todas elas sem exceção, dotadas de uma beleza única, além de serem muito mais fortes, mais inteligentes, mais sensíveis, mais humanas, mais solidárias, tolerantes, altruístas, companheiras, fiéis, sensatas, carinhosas, amáveis, generosas, queridas, simpáticas, compreensivas...Defendo a tese de que a sociedade sempre tratou mal esse nobre ser, e nos tempos atuais, quando a mulher acha que está livre, na verdade está sendo trancafiada da maneira mais sutil de todos os tempos: fazendo-a ser escrava de si mesma. Mas além de ver os potenciais femininos ficarem em segundo plano diante da beleza exterior e do padrão de Barbie (vide esse post aqui antes de continuar lendo..), há algo ainda mais preocupante que vem como consequência direta: a redução da mulher a um mero objeto sexual.

Esse trecho de e-mail retrata exatamente o que 99,8% dos homens tem em suas mentes em relação ás mulheres, copiarei exatamente da maneira que acessei, incluindo erros:

"Quando era novinho, mandava flores, ficava bobinho e nunca me dava bem com nenhuma, hoje me coloco em 1º lugar, sou mais instintivo e elas correm atrás feito loucas, é incrível como elas gostam de uma postura viril porque a mulher sabe instintivamente que um homem pode ter todas as mulheres, é fácil lidar com elas qdo vc é forte, qdo vc sabe marcar território, se vc não marca, ela cavalga em vc e vc viverá um inferno na Terra por ela não te admirar como ela queria e daí vc se fode com tua imagem perante as outras mulheres tbém, as experiências mostram que vc pode ser um macho em potencial e fazer todas as minas te olhar COM OUTROS OLHOS.
[...] beijar na boca nao é pecado, inclusive várias, elas adoram! e qdo se está saindo com uma, que vc trepou com ela, é q se inicia um relacionamento casual e deste casual dependendo pode resultar em romance ou não, no famoso namoro.
[...] Se uma mulher quer te dar e vc não come ela, ela não te admira, ser bonzinho na minha experiência é morte na certa, elas adoram transar com vc, vc sendo sedutor e ela correndo atrás de vc porque vc é o garanhão dela." 

Depois de ler e ficar um pouco chocado, me pus a pensar, pensar e repensar. Mas no fim das contas a realidade atual é bem semelhante a descrita, a inversão de valores ocorrida nos últimos tempos foi tão grande a ponto de as mulheres quererem sexo logo no primeiro encontro, ficarem com um rapaz sem menor interesse nele, ficarem com vários homens, experimentarem várias bocas sem o menor pudor. Ou seja, mais uma vez adquiriram os sujos hábitos que até um tempinho atrás somente os homens tinham. Eu mesmo tive experiência semelhante, já fui e ainda sou considerado um verdadeiro trouxa por guardar o coração a quem o merecer em lugar de ficar experimentando bocas e corpos como se fossem verdadeiros objetos de exibicionismo e de prazer curto e instantâneo. Já cheguei a tapar minha boca com as duas mãos para impedir um beijo indesejado, algo considerado infame atualmente, mas que me manteve de bem com minha consciência. O mais complicado de se entender é que, queira ou não, praticamente todas as mulheres esperam de um homem uma atitude de garanhão, os homens já são criados e instruídos para tal pelas suas próprias mães. 

Mas será mesmo que pode se considerar trouxa aquele que sempre pode ter muitas mulheres aos seus pés mas nunca as "usou" por elas nunca terem tocado seu coração? Não teriam estes durante o tempo todo que ter usado e abusado de todos os corpos sem sentimento algum para, quem sabe, estabelecer uma relação maior? 

E quanto ás mulheres, por que chegaram nesse ponto? O que ganham apelando para a promiscuidade e se permitindo fazer parte dessa opressão tão sorrateira de seus verdadeiros potenciais? O que as faz competir entre si para ver quem tem o melhor corpo, quem fica com mais machinhos, quem tem menos gordurinhas e tantas outras futilidades que ofuscam seu brilho natural? O que as faz estarem cada vez mais deprimidas e insatisfeitas a ponto de caírem cada vez mais no álcool e nas drogas para fugir da realidade e se deixarem ser usadas pelos homens? Em resumo, hoje para uma mulher ser considerada MULHER de verdade, precisa manter relações sexuais com frequência, ter bons parceiros para tal e precisam lutar sempre para atingir os padrões de beleza pré-estipulados. Deixaram-nas sem capacidade de amar verdadeiramente, de sofrer por um homem, de valorizar sentimentos verdadeiros e momentos inesquecíveis a dois, romperam com todo o romantismo, tiraram as borboletas de seu estômago e lhes ensinaram que somente o sexo é mais do que suficiente, acabando de vez com todo o seu potencial. Hoje em dia não há mais mulheres para a vida toda, são mulheres para apenas uma noite. Não se encontra mais quem valorize gestos cavalheiros, sinceridade, abraços, olho no olho, respeito, nada disso. Esperam posturas exatamente contrárias, esperam homens rudes e insensíveis, esperam sexo selvagem e pouco apego, e classificam apenas a estes como HOMENS de verdade.

E por que diabos o homem não tem um pingo de senso crítico e é tão idiota a ponto de manter tudo como está, passar esses costumes adiante a seus filhos? Como ele não percebe o quão trouxa é levando a vida unicamente para satisfazer sua libido e sendo escravo de si mesmo?

Essa promiscuidade toda e essa ausência de sentimentos acarreta em consequências

Fico triste por que não consigo enxergar uma mínima possibilidade de mudança diante desse quadro, pois é um ciclo vicioso que hoje em dia nenhum homem e nenhuma mulher ousam quebrar, e mesmo os que se mantém por muito tempo fiéis com sua consciência parecem esperar uma oportunidade para se renderem finalmente a essa imbecil realidade. As mulheres são a única esperança de mudança, partirá delas alguma iniciativa de mudança, a começar pela valorização dela mesma...mas lutar só é algo complicado, levantar a voz pode ser até mesmo perigoso nesses atuais dias em que se defende a democracia apenas para destruir as idéias opostas. 

Infelizmente muitos preferem dançar conforme a música e tentam se adaptar a essa realidade, talvez já sem esperança de enxergar um novo panorama. Mas mantenho sim a certeza de que é possível ficar de fora desse baile e ser feliz com a própria consciência. E certamente, em outros recônditos, haverão pessoas com as mesmas angústias e com os mesmos leões dentro de si buscando fidelidade a si mesmo e, acima de tudo, o amor verdadeiro, sem jamais desistir dos sentimentos....

sábado, 7 de janeiro de 2012

Contradições Contemporâneas


*Os meios de comunicação á distância estão cada vez mais desenvolvidos, mas está cada vez mais difícil o homem comunicar-se com quem está bem próximo, com o vizinho, com o colega de trabalho, com a família e até consigo mesmo;

*A tecnologia para armazenamento e compartilhamento de músicas está cada vez mais facilitada e acessível. Mas a qualidade musical é cada vez mais decadente e apelativa;

*A mídia exalta padrões de beleza e de saúde, mas a mesma mídia exalta refrigerantes, bebidas alcoólicas e comidas gordurosas;

*Os pais saem trabalhar fora com vistas a darem uma vida confortável a seus filhos e garantir-lhes seu futuro, sem saber que ao se afastarem da criança, estão fazendo exatamente o contrário;

*Um jogador de futebol ganha 3 milhões de reais por mês. Um professor da rede pública estadual tem um salário de R$450,00 para 20 horas de trabalho semanal;

*Enquanto milhões de brasileiros sofrem todos os dias á busca de sua sobrevivência ganhando um mísero salário, outros tantos vivem na miséria e há profissionais importantíssimos (professores, médicos, bombeiros, etc.) que vivem no anonimato e na escória da sociedade, um bando de gente desocupada e metida trancafiada por algumas semanas em uma casa de luxo e tendo seus comportamentos filmados 24 horas por dia é tratada como herói e tem seus atos servindo de exemplos quase hipodérmicos para a sociedade;

*Cresce o número de escolas públicas e vagas na universidades, mas o ensino é cada vez mais decadente e sucateado; 

*Cresce o número de pessoas com diploma na mão, mas que simplesmente não sabem trabalhar;

*Cada vez mais crianças e adolescentes tem acesso á escola, mas o que elas aprendem na escola está muito longe do conteúdo de sala de aula, aprendem coisas que jamais deveriam aprender, entre elas contato com drogas, violência, discriminação e muitos outros;

*Dizem aos quatro ventos que o transporte coletivo é uma solução ambiental. Mas o preço deste é cada vez maior e a qualidade do serviço parece decair ano após ano;

*Está cada vez mais fácil comprar um veículo. E cada vez menos espaço para eles;

*A constituição garante o direito de ir e vir, mas os veículos pagam pedágio constantemente, enquanto os pedestres não tem sequer o direito de atravessar uma rua na faixa de segurança (realidade de Caxias do Sul);

*As condições para adquirir uma casa estão cada vez melhores e mais facilitadas. Mas os lares estão quase todos em crise, vivem em pé de guerra e desunidos;

*O Natal parece começar cada vez mais cedo para o comércio, mas muita gente já não conhece mais o verdadeiro espírito natalino de amor e fraternidade, apenas de compras e comilança;

*Quando uma instituição de caridade faz um programa de quase 30 horas ao vivo em um canal de televisão uma vez por ano contando com uma mínima doação de cinco reais para auxiliar as crianças portadoras de deficiência, mostrando-as como as artistas desse programas e as heroínas da história, mal se consegue reunir 10 milhões de reais, de modo que se não fossem as doações dos bancos e patrocinadores a situação seria complicada. Entretanto, o brasileiro aposta o quanto pode nas loterias, que arrecadam muitos milhões semanalmente, um dinheiro que seria muito bem aplicado em causas sociais; Além disso, manda milhares de torpedos que custam mais do cinco reais para eliminar o participante X de um reality show (aquele mesmo que tem os "heróis";

*Nos incentivam a comer alimentos naturais, frutas, verduras e legumes, mas o cultivo desses tem sido feito com tanto agrotóxico que já não tem compensado tanto;

*As tecnologias tem facilitado a fabricação de alimentos em massa, mas eles tem cada vez mais perdido o sabor;

*Enquanto mais de 40% de toda a comida que fica pronta é DESPERDIÇADA e jogada fora, 1/3 da humanidade sofre com problemas crônicos de falta de alimentos;

*Diversão nos finais de semana tem sido sinônimo de entrar em grandes shoppings e comprar ou passear, entrar em grandes filas para assistir um filme ou comer um lanche. Estar no meio da multidão para não ser visto sozinho e para não ficar na companhia de si mesmo. Todas as pessoas no fundo carregam aquele sentimento de "quero mais" que não sabem onde encontrar, mas que poderia estar numa caminhada ao ar livre ou num livro;

(continua...)

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

As emoções, e como lidar com elas


Uma criança sofre uma queda e o pai, por interpretar como uma fuga das tarefas, vem e lhe surra.

Uma pessoa está completamente desesperada por ter perdido a namorada, decide matar a ex e matar-se.

O vizinho, torcedor fanático do Grêmio, não suporta ver seu time perder o campeonato, e sua tristeza, misturada ao efeito das bebidas, faz com que se enforque e cometa suicídio.

Um rapaz ficou tão contente com a compra da nova moto que foi para o litoral. A euforia durou pouco, lamentavelmente acidentou-se e morreu.

TODOS os ocorridos acima citados são corriqueiros e de nosso diário conhecimento, e possuem a mesma ligação: são pessoas que deixam suas emoções tomares total controle de seus atos, sem ter mais responsabilidade por eles.

É fato conhecido que o ser humano jamais conseguiu e nem conseguirá impedir, impelir, programar ou controlar um sentimento. Ele simplesmente existe e se manifesta, seja nas horas de alegria, dúvida ou tristeza. Mas será mesmo que não temos nenhum controle sobre eles?

Arrisco dizer que é impossível segurar um sentimento, mas as consequências que eles causam em nós, essas sim precisam ser melhor trabalhadas. De uma forma ou de outra, manifestaremos o que está no nosso coração, mas temos racional opção de escolha quanto à maneira de fazê-lo. Escondendo-se por trás da máscara de que os sentimentos são incontroláveis, muitas pessoas em seus momentos de cólera, raiva, tristeza profunda ou mesmo alegria e euforia tomam atitudes e ações que por vezes são irremediáveis, podem causar alguns danos e machucados cíclicos que certamente não irão se curar tão cedo. Mesmo quando uma pessoa decide aguentar no osso, vai acabar se manifestando por meio de uma mazela física. 

O "forte" é aquele que consegue canalizar todos os sentimentos que surgem de uma hora para outra de tal forma que vá trazer benefícios e aprendizados. Acredito que temos esse poder de discernir e definir exatamente quando e como iremos liberar nossa carga emocional, por mais que tenhamos raiva ou depressão. Muitos suicidas teriam pensado melhor antes de cometer o crime, muitos pais refrescariam a cabeça antes de sair espancando seus filhos, muitas mortes banais seriam evitadas e diversos constrangimentos são evitados. Aqui não entra a questão de que devemos passar todos os sentimentos pelo crivo da razão, mas devemos utilizar nosso belíssimo potencial para controlar as consequências dos nossos atos, pois somos eternamente responsáveis por aquilo que fazemos. Basta ter um pouco de boa vontade, o mundo certamente se tornaria um lugar muito mais bonito e pacífico de se viver. As amizades seriam mais duradouras, os romances não se desfariam por qualquer besteira, e todas as relações sejam mais harmoniosas. Parece utópico, mas quando uma só pessoa consegue ao menos ter iniciativa para semelhante atitude, já consegue quebrar um enorme ciclo e fazer a diferença para tantas outras. 

As emoções são um pedacinho do nosso ego. Fazer com que simplesmente se soltem pelo mundo sem medir nenhuma consequência, por sua vez, é um tremendo ato de egoísmo. Os sentimentos e emoções dizem respeito somente a nós, nossas expectativas, nossas dores, nossa visão de realidade, e são incontestáveis. Devemos ter o mínimo suficiente de controle sobre determinados sentimentos para que eles representem o bem, mesmo quando forem os piores sentimentos. A missão é difícil, mas a tentativa por si só já é de muito valor...

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